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Pragas do milho

Lagarta-do-cartucho: identificação, monitoramento e controle

Atualizado em 22 de junho de 2026 · por AgroMilho, com base em EMBRAPA e AGROFIT/MAPA

A lagarta-do-cartucho (Spodoptera frugiperda) é a principal praga do milho no Brasil. O prejuízo não vem de "matar a lagarta", e sim de acertar a janela certa e não queimar os modos de ação.

Resumo: monitore o cartucho 2×/semana; aja contra lagartas pequenas com ~20% de plantas atacadas (ajustado pelo NDE); priorize controle biológico e Bt; e rotacione os grupos IRAC a cada geração para frear a resistência.

Como identificar

A mariposa põe ovos em massas cobertas por escamas, geralmente na face inferior das folhas. As lagartas recém-eclodidas raspam o limbo (folhas "translúcidas"), depois migram para o cartucho, onde se alimentam protegidas. Sinais clássicos:

Monitoramento e nível de dano econômico

Caminhe a lavoura em pontos representativos e registre a % de plantas com dano recente e lagarta viva pequena. O limiar tradicional de ~20% é referência; o nível de dano econômico (NDE) verdadeiro depende de quanto custa controlar versus quanto você perde sem agir — e isso muda com o preço do milho.

Veja como o limiar se desloca com a cotação no guia de nível de dano econômico.

Controle: manejo integrado (MIP)

TáticaQuando usar
Milho Bt + refúgioBase da safra; manter 10% de refúgio para preservar a tecnologia
Biológico (Telenomus, Trichogramma, baculovírus, Bt)Liberação/aplicação cedo, contra ovos e lagartas pequenas
Químico por IRACQuando o NDE é atingido; sempre rotacionando o modo de ação

No controle químico, o ponto crítico não é o ingrediente "mais forte" e sim não repetir o mesmo grupo IRAC em gerações consecutivas. A Spodoptera já selecionou resistência a vários mecanismos no país. Entenda a lógica no guia de rotação de inseticidas por IRAC.

Como o AgroMilho ajuda

Você fotografa o dano, o agente confirma a praga e a fase, calcula o NDE com a cotação CBOT do dia e sugere o próximo modo de ação respeitando o histórico de IRAC do talhão — para não repetir grupo e não aplicar antes da hora.

Perguntas frequentes

Qual o nível de controle da lagarta-do-cartucho?
A recomendação clássica da pesquisa é agir quando cerca de 20% das plantas apresentam folhas raspadas com lagartas pequenas vivas no cartucho, na fase vegetativa. Esse percentual é um ponto de partida — o nível de dano econômico real varia com o custo de controle e com o preço da saca, por isso o AgroMilho recalcula o limiar conforme a cotação.
Por que a lagarta-do-cartucho fica resistente aos inseticidas?
A Spodoptera frugiperda tem muitas gerações por ano e alta pressão de seleção. Aplicações repetidas do mesmo mecanismo de ação (mesmo grupo IRAC) selecionam indivíduos resistentes. Já há resistência documentada no Brasil a vários grupos e até a algumas proteínas Bt — por isso a rotação de modos de ação e o refúgio são essenciais.
Controle biológico funciona contra a lagarta-do-cartucho?
Sim. Parasitoides de ovos (Telenomus remus, Trichogramma), o baculovírus de Spodoptera e formulações de Bacillus thuringiensis são ferramentas consolidadas do manejo integrado, especialmente quando aplicadas cedo, contra lagartas pequenas, e integradas à rotação química.
Qual a melhor hora de aplicar?
Contra lagartas pequenas (até ~1,5 cm), antes de se abrigarem no fundo do cartucho, onde a calda não alcança. Aplicação tardia, em lagarta grande dentro do cartucho, costuma falhar mesmo com produto eficaz. Monitoramento frequente é o que garante acertar a janela.

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